Yes Wedding

O site YW está em manutenção por conta da nova versão e em breve o login estará normalizado. Obrigada pela compreensão

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
  • Pinterest
O Yes Wedding tem o maior prazer em receber suas sugestões, opiniões e comentários. Quanto as dúvidas individuais, conforme formos recebendo, tentaremos transformá-las em pautas de matérias futuras. Obrigada e volte sempre!

Contato

contato@yeswedding.com.br
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
  • Pinterest

Matérias

Entrevista com Alexandra Loras

25/10/2017

  • Canvas Ateliê

    A consulesa Alexandra Loras

  • Canvas Ateliê

    Ela falou sobre casamento, amor e muito mais para a Revista Yes Wedding #4

  • Canvas Ateliê

    Lembrança do seu casamento com Damien Loras

  • Canvas Ateliê

    Alexandra com a primeira edição da Revista Yes Wedding

  • Canvas Ateliê

    Alexandra e Fernanda Suplicy

Por Fernanda Suplicy

   Já era fã da ex-consulesa Alexandra Loras, e depois de entrevistá-la, a admiração aumentou ainda mais. Uma mulher incrível, linda, chiquérrima e inteligente, que fala mais de quatro idiomas e renderia não apenas algumas páginas de entrevista, mas um livro inteiro. Ela, que estudou na tradicional Sciences Po e é mulher do cônsul-geral da França no Brasil, Damien Loras, com quem tem um filho, me recebeu em sua casa para nos contar sobre seu casamento – que teve Nicolas Sarkozy e Carla Bruni entre os padrinhos – e falar de suas opiniões com exclusividade.

   YES WEDDING – Você se casou em pouco tempo. Pode contar como foi?
   ALEXANDRA LORAS –
Quando Damien pediu para eu me casar com ele, foi interessante porque ele me falou, depois de seis meses de nos conhecermos, que pela idade que tínhamos ele não queria esperar. Achava que já tinha encontrado a pessoa certa e queria se casar logo.

   YW – Como foi ser uma noiva?
   AL –
Eu tinha muito estresse em relação a casamento. Minha avó se casou três vezes, minha mãe cinco e eu tive dois casamentos cancelados; então, no dia do meu, eu estava bastante estressada. É engraçado porque as pessoas que me conhecem viram que eu estava tensa, mas as fotos ficaram lindas! Casamento, é claro, tem uma simbologia muito profunda e fico muito feliz de ter tido esses dois cancelamentos para poder conhecer Damien, poder me casar e criar a família que eu queria. Então, às vezes, podem acontecer coisas que parecem horríveis no momento, mas sempre têm um presente atrás.

   YW – Você já esteve num casamento aqui no Brasil? Conseguiu ver as diferenças em relação à Europa?
   AL –
Um casamento brasileiro, dos que eu vi, acho que tem mais flores, mais beleza na criatividade, na natureza. Na França, nós ficamos no branco e verde. Também não tem essa mesa enorme com os doces que é uma delícia! Basicamente, uma coisa que começou no Brasil e nunca vi em outro lugar. O tamanho também. Meu casamento, na França, foi para 150 pessoas, mas tivemos que diminuir e acho que magoei muita gente. Foi difícil porque Damien era conselheiro diplomático do Nicolas Sarkozy e eu estava trabalhando como apresentadora na televisão francesa, então, tínhamos muitos relacionamentos e pessoas que queriam estar presentes no nosso casamento. É interessante porque vejo que a mulher brasileira se cuida muito mais e considera maquiagem e cabelo muito importantes. Na França, ainda existem mulheres que vão ao cabeleireiro pela primeira vez no dia do casamento.

   YW – Como era seu vestido?
   AL –
Usei um Chanel curto e branco. O que achei muito especial foi o meu buquê – acho que foi o mais lindo do mundo e até hoje não vi um tão lindo como o meu. Era maravilhoso! Escolhi as floristas que trabalham para Givenchy e George V.

   YW – O champanhe, de origem francesa, é tradicional nos casamentos no Brasil. Como é isso  na França?
   AL –
Não se pode servir um espumante em um casamento na França, é muito importante poder oferecer um champanhe. Não é preciso servir a noite inteira, porque também tem o menu com várias entradas, pratos principais, e vai-se combinando com vários vinhos. É muito comum, também, fazer um bar de ostras, pelo menos nos casamentos aristocratas. Toma-se vinho branco com as ostras, então, é também bem-vindo um bom vinho branco.

   YW – Paris é conhecida como uma das cidades mais românticas do mundo. De onde vem essa inspiração de amor?
   AL –
Temos essa dualidade, somos polêmicos e temos um lado romântico. Claro, é através dos escritores romancistas que temos isso. O romance é parte do nosso DNA. Paris é uma cidade maravilhosa, mas o parisiense precisa sair de Paris para saber como essa cidade é linda. Eu cresci em Paris, nunca achei a cidade linda até viajar e avaliar a beleza do meu país. É como as pessoas não se darem conta de que o Brasil é um país incrível até irem para fora e perceberem como é gostoso viver com as pessoas otimistas daqui, felizes, sempre vendo o lado bom, a coisa do carinho, do jeito brasileiro é muito agradável. Quando os brasileiros vão para fora e experimentam a rigidez do inverno dos outros países, eles veem que o clima daqui é bom e isso afeta o humor das pessoas. Tem uma coisa muito especial no Brasil, realmente não sei como definir.

   YW – Qual foi a noiva mais marcante para você?
   AL –
Para mim, é a rainha Charlotte Mecklemburgo-Strelitz, casada com o rei Jorge III. Foi a primeira rainha negra e eu a considero uma inspiração. Ela era afrodescendente e entrou para a família real inglesa, e hoje o príncipe William a honrou chamando sua filha de Charlotte, em lembrança a essa rainha.

   YW – O que não pode faltar em um casamento?
   AL –
Não pode faltar uma energia positiva e cheia de amor. Acho que é um dia em que precisamos colocar tudo em uma caixinha e celebrar o amor dos noivos. Focar em dar o melhor de nós para as pessoas que estão se casando por ser um dia muito especial. Tive a sorte, realmente, de ter por perto todas as pessoas que amava, de que eu gostava. E não pode faltar também um wedding planer. Lembro que havia um violinista contratado para a entrada do meu casamento, e quando cheguei, ele não estava tocando, estava escondido com medo das pessoas, pois nunca tinha tocado em um casamento. Eu não tive uma pessoa que planejasse tudo e hoje vejo que não dá para cuidar sozinha dos pequenos detalhes.

   YW – Em 2013, a França legalizou o casamento gay, no mesmo ano em que o Brasil também legalizou. Queria saber a sua opinião.
   AL –
Fiquei chocada de ver o meu país se tornar um espaço onde pessoas tiveram que sair às ruas para terem esse direito. Eu fiquei feliz que o casamento gay foi aprovado porque acho que é preciso respeitar a pessoa homossexual, não como uma pessoa diferente da heterossexual, Vivemos um etnocentrismo, contando como se a coisa certa fosse ser heterossexual, mas acho que há espaço para as pessoas que não são exatamente o padrão da sociedade clássica. A simbologia do casamento é diferente, não estamos pedindo para o Vaticano, para a igreja católica aceitar o casamento gay. É o casamento civil, então, não é a mesma coisa. Tem que entender isso. Acho que precisamos ter mais carinho com os outros e deixar espaço para que cada um possa se desenvolver com o seu jeito. Damien celebrou vários casamentos gays e eu sei que chocou pessoas na comunidade francesa de São Paulo. Fiquei emocionada quando vi a Casa Branca, nos Estados Unidos, com o arco-iris.

   YW – Eu sei que você luta contra o racismo e gostaria de dividir que na primeira edição da revista YW, a gente teve na capa uma modelo negra, de forma natural. Fizemos um editorial com várias modelos e ela foi a mais linda e que rendeu a capa. No fim, isso foi visto como ousadia. Queria saber sua opinião.
   AL –
Bom, acho muito corajoso. O Brasil é um país com tanta diversidade e poucas modelos negras e poucas negras em cargos de liderança na mídia, infelizmente. Sofri preconceitos, mas acho que cada um de nós já sofreu e que estamos em uma época de transformação. Sempre gosto de convidar as pessoas a pensar: imagine um mundo em que tudo o que foi feito pelos negros fosse considerado útil, inteligente, lindo, maravilhoso e que todas as suas referências históricas fossem com negros; imagine que os revolucionários, os intelectuais, os filósofos, os escritores, os inventores, todos fossem negros. Quando você ligar a televisão, imagine que a maioria dos desenhos tivessem personagens negros, que as princesas e príncipes fossem negros. A única coisa que se soubesse sobre os brancos fosse que eles já foram escravos. Claro, o ser supremo, Deus, seria negro, e quando se ligasse a televisão, a branca fosse sempre a faxineira ou a amante do homem rico negro, e o homem branco fosse sempre o traficante de drogas, responsável pelos atos violentos. Seria chocante, cruel, não é o mundo que eu quero, mas gosto de mexer com esse lado das pessoas para abrir essa reflexão, pensar como seria possível para suas crianças brancas se desenvolverem em uma sociedade em que só se incentiva coisas ruins ao redor dos brancos e só coisas positivas para os negros. Eu gosto de convidar as pessoas a pensarem que esse tipo de sociedade é nosso cotidiano. Estamos em um mundo com eurocentrismo, que tem uma narrativa muito agressiva, violenta, de maneira velada. É muito difícil se desenvolver em uma sociedade com poucas referências interessantes e hoje meu discurso é ir na escola trabalhar a autoestima do afrodescendente, mostrando que o inventor da geladeira era negro, do marca-passo, do telefone celular, da parabólica. Tem muitos negros que são grandes personagens como Teodoro Sampaio, Machado de Assis e André Sampaio que não entraram nos livros didáticos como afrodescendentes, e é interessante poder mostrar uma outra narrativa para poder crescer e evoluir.

   Ping-Pong

   Amor: acho que é se amar mesmo para poder amar o outro
   Casamento: precisa nutri-lo todos os dias
   Família: aqueles que conhecem sua fraqueza
   Preconceito: algo para abolir
   França: liberdade, igualdade, fraternidade e diversidade
   Brasil: otimismo encantador

(Fotos: Canvas Ateliê)

 *Entrevista publicada na Revista Yes Wedding #4

Você também
pode gostar de...

Materia

Casais modernos...

Fundada por Paloma Horta e Maurício...

Antena Yes

Rihanna revela como quer...

Cada vez mais envolvida como bilionário...

Antena Yes

Rafael Nadal e Mery...

Aconteceu nesse sábado (19) em Maiorca,...